
O impacto no orçamento será de aproximadamente R$ 549 milhões, o que elevará os gastos do governo com o programa para cerca de R$ 11,9 bilhões. O benefício variável é um acréscimo feito ao valor mensal que cada família recebe do programa por cada dependente.
O reajuste levou em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o fator de vulnerabilidade de renda, calculado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O valor da parcela não deve ser reajustado.
Cada família pode receber, no máximo, três benefícios variáveis (R$ 60). O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) informou ainda que 1,3 milhão de famílias devem ser beneficiadas neste ano pela mudança.
Segundo o ministério, 300 mil famílias serão atendidas em maio pela nova regra, outras 500 mil passarão a receber o benefício em agosto e mais 500 mil integrarão o Bolsa Família em outubro. As famílias já fazem parte do cadastro único do governo federal, de acordo com o MDS. Não está definido quando a nova regra entra em vigor.


O presidente boliviano Evo Morales saudou a vitória no referendo sobre a nova Constituição boliviana como o fim do Estado colonial, do colonialismo interno e externo. "Hoje é a refundação da Bolívia", comemorou. Algumas das principais propostas aprovadas: tamanho máximo das propriedades rurais será de 5 mil hectares; povos indígenas passam a ter a propriedade dos recursos florestais e direitos sobre a terra e recursos hídricos; empresas estrangeiras serão obrigadas a reinvestir seus lucros na Bolívia.
O Sim ganhou o referendo sobre a nova Constituição da Bolívia com cerca de 60% dos votos. Nos quatro departamentos onde a oposição ao presidente Evo Morales detém o poder o "Não" ganhou. Na pergunta sobre o tamanho máximo de uma propriedade agrícola (10.000 ou 5.000 hectares), a opção 5.000 ganhou por 78%, tendo triunfado mesmo nos departamentos da chamda "meia lua" (reduto da oposição). O presidente Evo Morales declarou, no discurso que fez após ser conhecida a vitória: "Hoje é a refundação da Bolívia (...) é o fim do Estado colonial, termina o colonialismo interno e externo". O resultado do referendo, acrescentou, é "o fim da grande propriedade e dos grandes proprietários".
No referendo à Constituição os resultados foram os seguintes, segundo o jornal boliviano La Prensa:
Nos departamentos do Ocidente (La Paz, Cochabamba, Oruro e Potosi) o "Sim" obteve 72% e o "Não" 28%. Nos quatro departamentos da "meia lua" (Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando) 63% dos votantes disseram "Não" e 38% "Sim". No departamento de Chuquisaca, 51% dos votantes apoiaram o "Sim" e 49% o "Não". De salientar que no departamento de La Paz, a capital, o "Sim" ganhou com 76%.
Além do referendo à Constituição, os bolivianos votaram também sobre o tamanho máximo que uma propriedade rural pode ter. O artigo 398 da nova Constituição proíbe o latifúndio e o referendo punha duas alternativas como limite máximo da propriedade rural: 10.000 ou 5.000 hectares.
A opção 5.000 venceu em todos os departamentos, mesmo nos da "meia lua", com uma percentagem de 78% no global do país, contra 22% para a opção 10.000 hectares.
Constituição amplia direitos dos povos indígenas
O novo texto amplia os direitos sociais e econômicos dos povos indígenas, num país em que 80% da população é formada por indígenas e mestiços que nunca se viram representados pelos governos de elite branca.
Mais de 80 dos 411 artigos da nova Constituição abordam a questão indígena no país mais pobre da América Latina. Pelo texto, os 36 "povos originários" passam a dispor de uma quota obrigatória em todos os níveis de eleição, a ter propriedade exclusiva dos recursos florestais e direitos sobre a terra e os recursos hídricos. Num dos pontos mais polêmicos, é estabelecida a equivalência entre a justiça tradicional indígena e a justiça ordinária do país, autorizando tribos a julgarem e punirem suspeitos de crimes segundo os seus costumes tradicionais, e não de acordo com os preceitos jurídicos herdados da colonização espanhola.
A nova Constituição prevê também uma representação indígena no Tribunal Constitucional e o direito à autodeterminação dos povos indígenas em terras comunitárias.
"Esta bela terra nos pertence: aimarás, quéchuas, guaranis, chiquitanos... Os direitos dos que nasceram nesta terra são reconhecidos na nova Constituição", disse Morales durante a campanha do referendo... "Esse processo de mudança não tem volta, a Bolívia não retornará ao neoliberalismo", acrescentou o presidente boliviano.
Outras medidas importantes votadas no referendo foram: o cultivo da coca passa a ter proteção estatal, "como patrimônio cultural, recurso natural renovável e factor de coesão social": e a ampliação do controleo do Estado sobre a economia que vai exigir às empresas estrangeiras que reinvistam os seus lucros na Bolívia.
Foto: Agência Boliviana de Informações (ABI)
*Carta Maior


A avaliação do governo Lula ficou um ponto percentual superior ao ex-presidente José Sarney durante o Plano Cruzado, em setembro de 1986, que detinha o recorde anterior..
Escalada entre os mais ricos e escolarizados
O saldo da avaliação do governo (avaliações bom e ótimo menos ruim e péssimo) chegou a 67 pontos positivos (73% - 6%), seis pontos acima do recorde anterior, da penúltima pesquisa CNI-Ibope, de setembro passado.
Os melhores resultados da avaliação do governo são registrados entre pessoas com faixa de renda de até um salário mínimo. Desses, 81% apontaram o governo como ótimo ou bom e apenas 3% como ruim ou péssimo. O saldo positivo passou de 75 para 78 pontos, reforçando uma marca de todas as avaliações de popularidade deste governo.
No entanto, mesmo na faixa de renda mais alta, acima de 10 salários mínimos, o governo Lula passou a gozar de uma popularidade confortável: 60% de bom e ótimo contra 26% de ruim e péssimo. Foi nessa faixa de renda, e na imediatamente inferior, entre cinco e dez mínimos, que o saldo positivo teve uma maior elevação em relação a setembro: 15 pontos.
O saldo positivo da avaliação ficou estável na faixa com escolaridade até quatro anos (69%), nos municípios com menos de 20 mil habitantes (69%) e na Região Nordeste (80%). E cresceu em todos os outros segmentos pesquisados.
O maior aumento, de 19 pontos, foi na faixa com escolaridade superior: o saldo passou de 39 para 58 pontos positivos (68% de bom e ótimo contra , 22% de ruim e péssimo), um crescimento de 19 pontos.
A nota atribuida pelos eleitores ao governo também subiu, de 7,4 para 5,8. Ambos os números são os mais positivos em seis anos de governo Lula. A nota mais baixa, na faixa que ganha acima de dez salários mínimos, chegou a 6,3.
Perguntas sobre a crise
Esta edição da pesquisa incluiu um conjunto de pacotes sobre a crise econômica internacional (imprecisamente chamada "crise financeira" nos questionários). Uma maioria de 75% sabe que a crise existe, enquanto 23% ouviu falar dela pela primeira vez durante a entrevista.
Dos entrevistados, 84% afirmam que a crise é“muito grave”ou “grave”, contra apenas 9% que a consideram “pouco”ou “nada grave”. No entanto, mais da metade da população, 56%, acha que o Brasil será pouco ou nada prejudicado.
Quanto ao medo da crise, 41% responderam ter pessoalmente "um pouco" de medo, 26% disseram não ter qualuer medo e 24% declararam ter "muito medo". Na faixa que ganha acima de dez mínimos esta última resposta subiu para 29%.
O número dos que acreditam que o país está mais preparado para esta crise do que para as anteriores sobe a 46%, 22% acham que o Brasil estádo mesmo jeito e 22% acham que o Brasil não está preparado ou está menos preparado.
A maioria afirma que ainda não sente os efeitos da crise (61%), enquanto 29% afirmam que jáos sentem em seu dia-a-dia; 46% dizem que não alteraram e nem pretendem alterar seus hábitos de consumo ou seu planejamento financeiro.
Uma maioria de 62% acha que o governo Lula está tomando as medidas corretas no enfrentamento da crise. Outros 15% responderam que não está. Ao qualificar a ação no combate à crise, 62% responderam que é ótima ou boa, 25% que é regular e 5% que é ruim ou péssima.
Crise, "surpreendentemente", ajuda Lula
De acordo com o diretor de relações intitucionais da CNI, Marco Antonio Guarita, a melhora no índice de avalição do presidente Lula se deve às primeiras medidas adotadas pelo governo para conter os efeitos da crise econômica mundial no país. Para 62% dos entrevistados, a atuação do governo neste assunto é ótima ou boa.
"Já havia uma tendência de crescimento da avaliação positiva tanto do governo quanto do presidente. Mas a crise nos parece ser um fator novo. E surpreendentemente aparece como um elemento que reforça a avaliação do governo. Boa parte da população registra conhecer a crise, confere a ela uma grande importância, mas entende que as medidas que o governo vêm adotando trazem resultados positivos", avaliou Guarita.
CNT-Sensus confirma
A pesquisa CNI-Ibope ouviu 2.002 entrevistados em 141 municípios, entre os dias 5 e 8 de dezembro de 2008. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Mais cedo, a pesquisa CNT-Sensus, realizada de 8 a 12 de dezembro, e divulgada também nesta segunda-feira, apontou números igualmente favoráveis ao governo Lula.
A avaliação positiva do governo chegou a 71,1%, e a avaliação negativa a 6,4%. Em setembro de 2008, a avaliação positiva era de 68,8%, e a avaliação negativa, 6,8%.
A mesma pesquisa apontou que a aprovação do desempenho pessoal de Lula subiu a 80,3% em dezembro, ante 77,7% em setembro deste ano. A desaprovação chegou a 15,2%. Em setembro de 2008, a desaprovação era de 16,6%.
Da redação, com CNI-Ibope e agências
O jornalista Muntadhar al-Zaidi foi detido, acusado pelo governo iraquiano de ter cometido um ''ato bárbaro e humilhante'' durante a entrevista coletiva realizada domingo.
O presidente americano fez uma visita ''surpresa'' a Bagdá e, enquanto dizia aos jornalistas que embora a guerra no Iraque ainda não tenha terminado por ''estar decididamente a caminho de ser vencida'', al-Zeidi pegou seus sapatos e os atirou contra Bush, acusando o presidente americano de ''assassino''.
Bush, que estava concedendo uma entrevista junto com o premiê iraquiano Nuri al-Maliki, abaixou-se por trás do ganinete, enquanto os sapatos por pouco não atingiam sua cabeça.
''Milhões de iraquianos ou talvez milhões de pessoas no mundo inteiro gostariam de ter feito o que Muntadhar fez'', afirmou hoje Uday al-Zeidi, irmão de Mundathar.
''Graças a Deus ele teve a coragem de fazer isso, vingando o povo iraquiano e o país contra aquele que massacrou e matou seu povo''.
A emissora de televisão Al-Baghdadiya, a empregadora de Muntadhar, eigiu a libertação depois que Iassin Majid, assessor de imprensa do premiê, afirmou que al-Zeidi será julgado por crimes de ''insulto ao Estado''.
Um advogado iraquiano disse à agência de notícias AFP que al-Zeidi está arriscado a penas de no mínimo dois anos de prisaõ se for processado por insultos contra um chefe de estado em visita ao país.
Liberdade de expressão
Na segunda-feira, a al-Baghdadiya suspendeu sua programação normal e exibiu mensagens de apoio ao jornalista gravadas em todo o mundo árabe.
Um apresentador leu uma declaração pedindo pela liberação do jornalista, ''de acordo com a era democrática e o direito de liberdade de expressão que foi prometido aos iraquianos pelas autoridades americanas''.
Também aconteceram demonstrações nas ruas de Basra e Najaf, onde algumas pessoas atiraram sapatos contra um comboio americano.
Khalil al-Dulaimi, o ex-advogado do ex-presidente assassinado Saddam Hussein, disse que estava formando um grupo para defender al-Zaidi e que 200 advogados, inclusive americanos, já teriam se oferecido para ajudá-lo na defesa.
''Isso foi a última coisa que um iraquiano poderia fazer a Bush, um tirano criminoso que matou dois milhões de habitantes do Iraque e do Afeganistão'', acusou.
''Nossa defesa de al-Zaidi será baseada no fato de que os Estados Unidos estão ocupando o Iraque, e a resistência é legítima por todos os meios, inclusive os sapatos''.
Na cultura iraquiana, atirar sapatos em alguém é um sinal de desdém, desrespeito e o incidente serviu como última lembrança da enorme oposição à invasão do Iraque liderada pelas forças americanas — conflito que caracterizou os oito anos da administração Bush.
''Atirar os sapatos em Bush foi o melhor beijo de despedida que vi... isso expressa como os iraquianos e outros árabes odeiam Bush'', escreveu Musa Barhoumeh, editor do jornal independente jordaniano Al-Gahd.
Mas o apoio não é inteiramente universal e alguns iraquianos acreditam que al-Zeidi passou dos limites.
''Considero isso desnecessário. Essa coisa é injustificável. É um estilo errado. Nós não somos violentos. Podemos expressar nossas opiniões de outros modos'', afirmou um morador de Bagdá.
A visita de Bush à capital do Iraque acontece há apenas 37 dias do término de seu mandato, quando entregará a Casa Branca ao presidente eleito Barack Obama, que prometeu retirar as tropas de ocupação do Iraque.